domingo, 3 de abril de 2016

O amor sabe a tanto

Não ando a escrever.
Estou de coração cheio e não é por falta de tinta mas é que o amor cala-me, como sempre me calou. Perdi todas as vontades em sarar as feridas em tinta ou com as mãos calejadas, porque curas tudo com a tua presença.
O amor sabe a tanto quando não nos deixa abraçar e ligar ás três da manhã porque o sono não aparece.
Lembro-me da rejeição que eu te causava antes de conhecer o calor que a tua pele traz à minha.
Mas sei também que não fazia sentido ser de outra forma. Sabias mais de mim do que eu queria, esperavas um futuro maduro enquanto eu desperdiçava-te,
Plantei as minhas próprias feridas.
Descobri que não era ninguém sem ti quando me perdi sozinha.
Tens-me em tudo, a mais.
Amei-te antes de me deixares amar-te com a carne, amei-te antes da minha língua tocar na tua orelha ou pescoço. Amei-te devagar e agora amo-te por inteiro.
Curamo-nos um ao outro, saramos as feridas e concertamos as memórias.

Amo-te finalmente completa.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Adeus Chesterfield

Á algum tempo que o nervosismo ficou de parte, e a necessidade de te acender com ela ficou. Hoje, peguei num. 
Sobi as escadas. Não tive razões, mas porque não acabar com a caixa ? Já não te uso nem preciso de ti. 
Apesar de ainda mexeres comigo quando os ciúmes se atravessam.
E o alívio que me davas em dias que o sofrimento se entranhava na minha pele. Foste melhor que chocolate, e acredita que já afoguei muitas màgoas neles ... 
Rodei a pedrinha do isqueiro e acendi-te. Dei a primeira passa. Não sei como mas mil e uma emoções renasceram. A causa e os porquês de te obstruir, ou obstruir-me a mim, porque nenhuns pulmões virgens cedem tão facilmente á omnipotência de não te ter. A ti. Sim. Tu que hoje estás comigo. H. Que foste o culpado.
Agora que estou livre de ti, e que só dou uso a esta última caixa peço  para não chegar a precisar de ti novamente. Porque qualquer sufoco das entrelinhas do amor não merece que sejas a salvação. Eu nunca te quis a ti propriamente, foste apenas o refúgio. Desculpa. 
Era dele que eu precisava, e o desgosto que ele me causava de cada vez que a cinza caía no chão, só alimentava que as lágrimas se transformassem em fumo degradado. 
E é em paradoxo que ele conseguiu que te acendesse por alívio e te apagasse por amor. Porque foi pelo amor que ele me deu e dá, que eu deixei de te usar. Porque foi só uso que eu te dei. Nunca te quis como necessidade.
Adeus Chesterfield. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sem crer por querer


Sei que em toda a minha vida não vou encontrar ninguém que seja nem metade da pessoa que és. Pela sinceridade ou pela prioridade. Pões-me acima de tudo e todos. Nunca me deixaste chorar sozinha e qualquer deslize de uma lágrima já te sinto agarrado a mim. 
És a junção do veneno e da cura. A minha cura. Por seres a única pessoa que sabe tirar-me a piada e despir-me de qualquer desconsolo. 
Nos piores dos males, foste o melhor que a vida me deu. 
Hoje gabo-te, amanhã estrago-te.
Guardo em ti as melhores coisas que tenho, nunca soube dizer-te que me dás bons conselhos, nunca tive coragem de assumir que os sigo apesar de os negar. Aliás, não podes ser melhor que eu. Mas meu amor...
Escondo o orgulho que sinto de cada vez que te vejo crescer devagarinho, de cada vez que da noite para o dia acordas com novos planos. Novas provas. Não sabes o quão orgulhosa estou por ti. 
Mas os melhores dias são os que trago o teu cheiro embora, na roupa ou no corpo. Deito-me na cama e ainda o sinto, e sabes o que é? Não são borboletas, são saudades. Ou. Vontades. Como preferires. Desde que em ambos estejamos mais juntos que um imen.
Apaixonei-me pelo rapaz que me possuía o cérebro e declinava o meu humor. Apaixonei-me sem crer e agora é por querer. 
Sempre soube que não gostavas de ler. Mas de vez enquando fazes-te de leitor. Marcas-te pelo silêncio enquanto eu escrevo. Nunca me disseste uma palavra. Já escrevi de coração vazio. Despi um "amo-te" nu e cru, simples e seco só para saberes que não foram só em noites em que eu deixava o suor dos nossos corpos se unirem que eu te amei.
Nunca fiz um esboço nosso, e sempre achei que o melhor da nossa junção vai ser uma criança a correr pela nossa casa a chamar-me de "mamã", que tenha a cor dos teus olhos ou o teu sorriso e os meus caracóis. 
Amo-te. Amor da minha vida.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

À ex dele

Foste a maior pedra no meu sapato. E não sei se te agradeço pelas feridas que me causaste ou se te culpo. 
Mas obrigada pelas certezas que nos deste por não conseguirmos viver um sem o outro. 
Obrigada por me ajudares a perceber que ele é o amor da minha vida e sem duvida a melhor pessoa que tenho.
Obrigada por o tornares cego aos teus olhos e por criares em ti uma farsa de um amor infinito. 
Obrigada pelas horas a tentar molda-lo quando ele não quer desmoldar-se de mim. 
Obrigada pela saliva que gastaste e que ele me dá a mim. Pelas noites que te deitaste com ele, que só me deram alento à vontade que ambos sentíamos mas tu insistias em te cravar na minha pele.
Não faço ideia dos dias em que a ferida sangrou e nem me deixaste dormir mas jamais eu te deixaria ficar ali sem te tentar por no teu lugar! Tampouco merecias o chão que ele te deu. E não pelo amor que lhe ofereceste mas pelo tão pouco tempo em que o prendeste quando ele ainda era meu. 
Obrigada por seres a pessoa que mais tenho ciúmes e a que mais me abriu os olhos. Obrigada por nos teres tornado mais loucos, e mais apaixonados.
Usando palavras tuas "não sei como é possível amar tanto alguém" e melhor que isso é tu não saberes que tudo tem um tamanho ainda maior. Ele só fez contigo o que o mar faz com as pessoas: hoje seduz-te amanhã deixa-te afogar.
Mas obrigada pelas tentativas pois ele voltou mais inteiro, mais amoroso e mais meu.
Não sei quanto tempo achavas que o rotulavas mas a tinta saía de todas as vezes que ele fraquejou comigo. Mas obrigada mais uma vez por nos tornares mais fortes. Obrigada por me dares a provar todo este amor que me aliciou ainda mais. 
Hoje, tenho coragem para tirar o sapato e tirar-te a ti. Do meu sapato. E da vida dele. Hoje, deixas de ser a pedra no meu sapato que tanto latejaste na minha pele e eu esmaguei-te ironicamente com o meu peso. 
Mas obrigada. Por teres sido para ele o que eu não fui durante meses mas que serei durante anos. 
Não te desejo mal, porque as feridas curam-se. E a pedra que foste no meu sapato não serás no coração dele.
Sê feliz. Longe. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Amo-te. Claro que te amo.

Estou gasta.
Apetece-me chorar. Sinto-me num misto de emoções, triste mas muito feliz.
Receio adormecer e despertar com o teu desinteresse. Não me sinto acordada ainda, porque as pedras continuam no caminho e qualquer tradução a isto não fará sentido. Pedi tempo ao tempo e tudo o que ele me deu foi impaciência. 
Admito. Sinto-me insegura. Não estou preparada para não te ter. 
Já te senti mais meu que eu tua e em segundos perdi-te.
Não te perdoo se me fizeres sofrer, não te perdoo se decidires deixar-me sem tentares. Agora. Agora que chegamos até aqui. Agora que largamos tudo por nós.

Estás mais frio, e mais maduro também. 
Cresceste. 
Estás mais bonito. Não negues.
A tua barba arranha mais, mas não a trocaria por nada. 
Estás mais confiante e ousado também. Talvez, numa dessas noites aleatórias que nos deixamos levar, desaprendemos muita coisa. 
Perdi a conta das vezes que me pediste para não me "perder" e tudo o que eu queria era que fosses tu a não deixar. E tu não fazendo jus ao que eu queria, deixaste, mas que me perdesse contigo.
Estou com saudades tuas, e o melhor disto tudo é que posso ter saudades tuas, e ir ter contigo. Posso ter saudades e sufocar-te de beijos. Abraçar-te. És meu. 
Estive longe dos rótulos que nos intitulavam e fora deles entramos com o pé direito. Considerando a primeira opção, fizemos dois anos de namoro e agora sei que o melhor está para vir. Amo-te. Claro que te amo. 
Não aguento muito tempo sem ti, tu sabes. Morro de amores por seres um chato do pior e mesmo assim carinhosamente ainda toleras os meus pés gelados.
Amo-te. Claro que te amo.
Sabes, não sei quantas vezes chorei por não te ter por tão perto, e provar da pior forma o sabor do desprezo. Mas nada me preenche mais do que a certeza que a confiança não desvaneceu.
Estou louca. 
Por ti.
"Uma vez perguntaram-me "Se ele quisesse voltar, Tu voltavas? Mas quem é que no seu perfeito juízo diria que não ao amor?"
Amo-te. Claro que te amo. Meu amor.

P.S. Adorei o jantar. Inesperado. Controverso. Lindo.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Devolveram-te

Não basta beijares-me e eu sentir que me amas. Tampouco basta agarrares-me na mão e dizeres-me que és meu novamente. Perdi todas as certezas que instalavas sem precisares de falar. Preciso muito mais que isso.
Cobriste-me de medos da mesma forma que o meu cabelo ainda te cobre a cara e tu, carinhosamente resmungas. Jamais me habituaria as mãos de outro alguém que nem sequer sabe me chamar de paralelo.
Não sei quantas vezes experimentas-te outros lábios para perceberes que nenhuns tem o mesmo sabor que os meus e que todo este tempo foi uma procura sem ganhos. São os meus que te saciam.
Não quero ouvir um "amo-te muito" sem saber se amanhã o terei de novo, nem claramente dizê-lo sem saber se amanhã estarás lá novamente. Prefiro um amor que me alimente um pouco a cada dia e que me deixe oferecer um bocadinho todos os dias. Não quero morrer de fome por não ser alimentada ou por ter alimentado demais.
Mudaste todos os parâmetros, fomentaste todos os meus vícios. Ainda não percebi em que ponto estamos, e mais que qualquer afirmação, era de ti que eu precisava. Da postura, das conversas longas, da cumplicidade ou da tua mão na minha cintura. Simples, ou da tua mão na minha.
Descartei qualquer possibilidade, e inesperadamente devolveram-te.
Quero dar mais de mim do que o que posso mas recebo menos do que preciso. Talvez, neste momento, pareça egoísmo, mas agonizas o meu sistema nervoso e a necessidade de sentir que estamos bem aumenta. Assume-me.
Não te quero pedir mais do que consegues dar, porque sei que estás a minimizar os nossos problemas. 
Mas troco qualquer amo-te por esse "prometo que vou fazer as coisas e mais rápido do que tu pensas."
Amo-te tanto Hugo, e apesar de tudo ... não podia estar melhor. Tenho-te a ti e tenho-nos a nós meu amor.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Estás por todo o lado

Amas-me muito mas andas a partir-me o coração. A distância que nos acompanha aumenta a cada domingo de chuva que não te deitas comigo.
Desculpa se são mais questões do que afirmações. Desculpa se te sufoquei de amor quando tu querias dispersar-te noutros corpos.
Mas vai muito para além do sabor dos lençóis da tua cama, ou da fome da tua pele.
Deixas as migalhas espalhadas pela sala e eu apanho-as devagar onde só espero por dias incontáveis para te arranhar as costas. Provoco-te com a silhueta do meu corpo mesmo que não seja perfeita porque ainda nos amamos em simultâneo e porque traduzo esse "Tenho saudades" nas entrelinhas do carinho que sentes falta. Perdoo-te tudo menos o tempo, o tempo que demoraste a chegar. O tempo que demoraste a perceber que nem tudo está seguro. E eu estava consciente nas palavras que te pronunciei pela madrugada "se não foi hoje não é nunca mais."
Procuras-me no escuro da noite, e em segundos encontras-me no meio de mil corpos e mais uma vez destabilizas qualquer vontade.
Descobri no suor do teu corpo que tens medo da certeza que o meu corpo te afirma. Estou de mãos dadas à tua camisa e mesmo que saiba de cor apertar os botões vou deixá-los ... Vou deixá-los para que me implores que seja eu a apertar-tos nas madrugadas de preguiça que me vais ter de levar a casa.
Vai tudo muito para além dos beijos na testa, das massagens ou do "conheço o teu corpo como nunca conheci outro".
Vai muito para além da tentativa, do não querer estar sozinha mas sim não querer mais ninguém a não seres tu.
Estás por todo o lado. E eu evito-te.
Espero a tua chegada ou a tua ida permanente.
Não estou certa e nem tenho certezas das tuas incertezas.
Mas amo-te.

Amo-te muito meu amor.

what do tou think?